A mágica do contato e improvisação em dança

 Em Diário da Ju
Hoje vim falar sobre uma atividade que está totalmente relacionada à dança e que pode ser explorada de formas incríveis, por meio de pesquisa e prática. Em parceria com o time da Summus Contato Improvisação, tenho vivido experiências únicas dentro desse tema. Mas muita gente ainda me pergunta, no detalhe, o que é essa atividade e como ela se relaciona com a dança. Foi aí que veio a ideia de entrevistar aqui o Diogo Rezende, que está à frente dessa parceria conosco e sabe tudo sobre o assunto. Confira!

Foto: Juliana Ribeiro

 
Dance Curitiba: Para quem nunca fez, como você explicaria a aula de contato improvisação? 
Diogo Rezende: O contato improvisação é uma técnica baseada numa proposta de livre improviso e pesquisa através do movimento. Geralmente, mas não sempre, as pessoas estão em contato com o corpo umas das outras e, a partir dessa troca de contato corporal, desenrola o improviso do movimento. Existe técnica e estudo sobre princípios da física como aceleração, velocidade, lentidão, quedas e rolamentos. É uma técnica que, se investigada a fundo, é bem complexa. Por outro lado, é uma técnica aberta a qualquer pessoa que tiver interesse em experimentar o movimento. Então, numa proposta como as jams de contato improvisação, qualquer pessoa – mesmo que nunca tenha tido contato com a dança – é super bem-vinda a participar.

DC: Como acontece essa jam?
Diogo: A jam de contato improvisação, assim como na música – quando músicos se reúnem para improvisar livremente com seus instrumentos -, é quando os bailarinos se reúnem para improvisar livremente com o corpo. Então, basta ter um corpo disponível e a vontade de partilhar a dança e “chegar junto” dentro desse evento. Na chegada, cada um vai se alongando e aquecendo conforme a própria vontade, e depois entra na pista de dança conforme quiser.

DC: Quem pode fazer?
Diogo: Qualquer pessoa interessada em se mover é super bem-vinda. Inclusive pessoas com deficiências físicas, cegos, mudos, surdos.

DC: Há uma questão performática envolvida?
Diogo: Na verdade, o contato improvisação não chega a ser uma performance, no sentido de que ele não é cênico. As pessoas não chegam até a jam procurando uma apresentação. Mas ele tem uma performatividade relacional, de colocar as pessoas em contato umas com as outras. O lugar da performance no contato improvisação é em relação a esse contato entre duas ou mais pessoas.

Foto: Arquivo pessoal

DC: Como essa atividade colabora com o desempenho dos alunos em suas modalidades – como dança contemporânea, jazz, balé etc?
Diogo: Pensamos muito em conseguir entender e ter uma percepção ativa sobre como o corpo se comporta no espaço. E também entender, internamente, quais são os espaços articulares, móveis e musculares que as pessoas têm. É uma técnica de um olhar muito sutil e sensível para si mesmo, para o modo como seu corpo se movimenta. Queremos otimizar ao máximo o gasto energético corporal, no sentido de não fazer esforço físico à toa. Usamos técnicas para trabalhar o tônus muscular sem esforços que possam causar lesões corporais. Então, a técnica ajuda muito na questão de observar a si mesmo. Tem muito a ver com algumas perspectivas de educação somática.

DC: E de onde vem tudo isso?
Diogo: O contato improvisação surgiu dentro de um questionamento profundo, por volta da década de 70, sobre modo como a dança se organizava em relação às hierarquias. Por exemplo, como as coreografias sempre têm um líder que é seguido pelos demais participantes. O contato improvisação parte do pressuposto que todo mundo pode dançar. Então quebramos vários modelos vigentes de dança da época. Hoje em dia todas as perspectivas convivem bem – independentemente de ser coletivo ou grupo – e as pessoas trocam informações entre si a partir de diferentes técnicas.

Se você curtiu a entrevista e ficou curioso, aproveita que hoje é dia de jam! Dá um pulo no Studio de Dança Juliana Ribeiro (Rua Chile, 1.877), das 18h às 20h30, e conheça nosso espaço, modalidades e o pessoal da Summus 🙂 Esperamos vocês!

Juliana Ribeiro, bailarina profissional, coreógrafa e diretora do Studio de Dança Juliana Ribeiro 
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